MALA #276
A maior MALA de todos os tempos
IMAGEM DA SEMANA
Eu não acreditei quando me mandaram essa imagem acima, mas acredite: é a capa do novo disco da Charlie XCX, que sai em julho, intitulado “Music, Fashion, Film”. E aí ela reuniu simplesmente John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese num mesmo ambiente, numa mesma foto.
SURRA DE RESENHAS
Eu adoro a expressão “esforço de reportagem”. No jargão jornalístico, é quando o repórter se puxa para a apuração de uma matéria e, via de regra, acaba produzindo algo que presta.
No meu jargão particular, desvirtuei um pouco a expressão mas sem abandonar o esforço. Por isso mesmo, esta edição de MALA é um pouco diferente neste sentido.
Num esforço de reportagem à minha maneira, trago para vocês, além da crítica habitual em video e audio do podcast “Meninos, Eu Vi”, que você também encontra em todas as plataformas dedicadas a isto, mais alguns textos sobre um filme que estréia hoje e duas séries que terminaram no último fim de semana.
Por isso mesmo, as demais seções da MALA estão menores esta semana. Em compensação, creio que esta é a edição mais extensa em todos os tempos.
Espero que eu te instigue (ou não) a assistir algo diferente neste feriadão.
Se jogue!
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PARA ASSISTIR NO STREAMING
Spider Noir
Criação: Oren Uziel
Elenco: Nicolas Cage, Brendan Gleeson, Li Jun Li, Jack Huston
Mais uma série sobre heróis da Marvel? Sim!
“Spider Noir” traz Nicolas Cage no papel de um detetive com poderes de Aranha na Nova York da época da Grande Depressão. De quebra, uma estética focada em filmes noir, com duas maneiras de ser assistida: em P&B ou em cores.
Mas será que presta? O que me levou a assisti-la, nesta momento em que todos estamos fadigados de heróis?
Dê o play:
ONDE: No Prime Video
O podcast “Meninos, Eu Vi” está disponível no Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer, Castbox e Youtube, além do Spotify. Clique aqui para obter os outros links.
PARA ASSISTIR NO STREAMING
Pela Metade
Criação: Richard Gadd
Elenco: Richard Gadd, Jamie Bell, Stuart Campbell, Charlie de Melo
Richard Gadd apareceu para o mundo em “Bebê Rena”, que se tornou uma das séries mais vistas da Netflix quando estreou, faturou prêmios mil e colocou seu autor no mapa, garantindo-lhe inclusive um contrato com a própria plataforma para a criação de novas obras.
Esta “Pela Metade” foi desenvolvida por ele em parceria com a BBC antes do estouro de “Bebê Rena”, o que permitiu que ela fosse exibida pela HBO Max. Confesso que, quando “Bebê” estreou, não dei muita bola, seguindo a minha (ridícula) regra de ignorar a “série da semana” da Netflix. Acabei me rendendo porque quantidade não significa falta de qualidade e, em meio à gigantesca oferta de conteúdo que nos é despejada todos os dias, ainda dá para separar o joio do trigo.
Com “Pela Metade” foi o oposto. Não só por ser mais uma criação de Gadd, mas porque o assunto — masculinidade — me interessa bastante. Aqui, Gadd vive Ruben, um homem marcado por um passado complicado com o pai (que não aparece na série) e que se tornou uma pessoa bruta. Ele afirma sua condição de macho em cada oportunidade que tem, usando a violência para resolver seus problemas, ainda que não se trate de violência física em determinados momentos. Ruben tem um meio-irmão, Niall (vivido por Jamie Bell na fase adulta), que vive à sua sombra, numa relação que transita entre a admiração, o medo e a necessidade de estar perto e longe ao mesmo tempo. Há ali um sentimento que transcende o amor fraternal, fazendo com que Niall mude de rumo: de estudante prodígio, transforma-se em um sujeito perdido na vida por não conseguir assumir sua própria condição.
Ao longo de décadas, vamos reconstruindo a história dos irmãos por meio de flashbacks que nos mostram sua infância, adolescência e vida adulta. As mudanças de comportamento e de personalidade de Niall e Ruben acompanham um caminho tortuoso, em que verdades nunca são ditas e segredos precisam ser guardados em prol da sobrevivência. O amadurecimento da relação entre os dois é iminente, ainda que não se saiba qual direção ela vai tomar.
Richard Gadd ganhou mais de 20 kg de massa muscular para encarnar esse personagem, e quase não dá para imaginar que é o mesmo ator de “Bebê Rena”. Mas é Jamie Bell a verdadeira estrela da série, conferindo a Niall as doses exatas de angústia, medo, raiva, impotência e dúvida que o papel exige. As discussões em torno da masculinidade (ou da falta dela) nos são propostas a todo momento, com as peculiaridades que a passagem do tempo impõe. Seria a relação entre os dois apenas fraternal ou existe algo mais velado ali? Por que não existe um diálogo franco entre os irmãos, apesar de tudo? As aparências são, realmente, o reflexo do que se passa no interior de cada um?
Com um desfecho brilhante, emocionante e, de certa forma, previsível, “Pela Metade” não pretende ser um tratado sobre a masculinidade (nem sempre) tóxica. O objetivo é nos mostrar que os sentimentos masculinos reprimidos podem levar à destruição ou a caminhos muito tortuosos. Muitos se apressariam em definir a série simplesmente como “homem fazendo homice”, mas isso seria muito pouco para descrevê-la.
ONDE: Na HBO Max
PARA ASSISTIR NO STREAMING
Euphoria - 3a temporada
Criação: Sam Levinson
Elenco: Zendaya, Sydney Sweeney, Jacob Elordi, Hunter Schafer, Colman Domingo, Alexa Demie, Maude Apatow
“Euphoria” nunca foi uma série que primou pela sutileza. Criada por Sam Levinson a partir de sua própria experiência com consumo de drogas na adolescência, além de outros vícios, ansiedades e transtornos mentais, nos mostrou, ao longo das duas primeiras temporadas, o cotidiano de um grupo de amigos do ensino médio, ampliando o leque de discussões para outras questões típicas desta fase da vida (em especial a estadunidense): drogas, amizades, traumas, sexo, bullying, aceitação, inseguranças e sexualidade. Tudo mostrado de uma forma muito crua, com episódios que chocavam pela honestidade com que falavam destes temas. Assim, a série conquistou o respeito de público e crítica, sem falar no fato de que parte de seu elenco passou a fazer parte da lista A (ou B) de Hollywood, em especial Sydney Sweeney e Jacob Elordi.
Mas, claro, a estrela da série sempre foi Zendaya. Sua personagem, Rue, era uma espécie de alter ego de Sam Levinson e carregava consigo todos os traumas de seu criador. A jornada de Rue — que logo no início da série tenta se manter sóbria após uma overdose, mas falha miseravelmente — fez com que todos nós refletíssemos sobre o tema e olhássemos para a questão do vício com outros olhares, torcendo pela personagem, querendo abraçá-la em quase todos os momentos e acompanhando, episódio após episódio, sua luta. Rue Bennett rapidamente se tornou uma das grandes personagens da dramaturgia e posicionou Zendaya como uma das melhores atrizes de sua geração, capaz de se despir de todo o glamour das redes sociais em prol de um papel (e de uma causa) que valia a pena.
A tiracolo, vieram todas as outras personagens e tramas, que transformaram “Euphoria” em fenômeno, a começar por Jules (Hunter Schafer), uma garota trans recém-chegada na cidade. À medida que a relação das duas evolui para um romance, Jules pede que Rue tente evitar as drogas. Em paralelo, tínhamos Nate Jacobs (Jacob Elordi), o garoto popular da escola que esconde violência e conflitos com a própria sexualidade; Maddy Perez (Alexa Demie), líder de torcida que ama e teme Nate; Cassie Howard (Sydney Sweeney), aparentemente tranquila mas cheia de inseguranças; e Kat Hernandez (Barbie Ferreira), uma adolescente que começa a explorar sua sexualidade apesar de suas dúvidas.
O sucesso de Zendaya, Elordi e Sweeney fez com que, já ao final da segunda temporada, todos duvidássemos da existência de uma terceira. Estariam as agendas dos três — e também de Colman Domingo, que interpretava Ali, o “patrocinador” de Rue no Narcóticos Anônimos e principal mentor de sua nova fase — disponíveis? O tempo passou e foi necessário um intervalo de quatro anos entre a segunda e a terceira temporadas. E é aí que “Euphoria” começou a ir para o buraco.
Neste período, foram muitas as histórias de bastidores, envolvendo brigas no elenco (a mais famosa delas foi a de Barbie Ferreira, que optou por deixar a série após se desentender com Sam Levinson) e outras fofocas em geral. Mas Levinson conseguiu o que parecia impossível: reunir suas estrelas para uma terceira e, agora sabemos, derradeira temporada. A passagem do tempo foi inevitável e a primeira decisão de Levinson foi transportar a história para fora da East Highland High School, com os personagens tendo agora que encarar a vida adulta de frente.
A princípio, tudo bem e este é um caminho até mesmo natural. Como nossos personagens se comportariam na “vida real”? Ainda que essa vida real fosse, em grande medida, a realidade de seu criador. Assim, Rue enveredou pelo caminho do tráfico, que já parecia ser seu destino ao final da segunda temporada. Nate assumiu os negócios da família e está noivo de Cassie (que também ensaia uma vida de influencer, explorando o próprio corpo), embora os dois pareçam longe de ter uma relação saudável; Maddy trabalha como agente de celebridades em Hollywood; Lexi também está em Los Angeles, realizando o sonho de trabalhar na indústria do entretenimento; e Jules frequenta uma escola de arte, além de ter se tornado uma sugar baby.
Até aí, tudo parecia coerente. Todas essas evoluções fazem sentido quando lemos as descrições no papel. O grande problema da terceira temporada de “Euphoria” é que Sam Levinson parecia não saber como desenvolver as histórias e fazer essas personagens avançarem. A série se transformou em um misto de faroeste com soft porn (ou hard, em alguns momentos), desvirtuando as características de quase todos eles e colocando mais lenha na fogueira dos que já achavam que seu criador era um homem que não gosta de mulheres e quer vê-las sofrerem.
Todas as personagens da terceira temporada de “Euphoria” parecem estar perdidas, sem rumo. Não que a vida adulta real seja algo fácil de ser digerida ou que os caminhos se apontem de forma clara. O que me irritou nesta temporada foi o completo descaso e a desvirtuação absoluta das características das personagens. Se antes as angústias e os conflitos pessoais eram tema de conversa e de ação para a maioria delas, agora um vazio se abateu sobre elas e sua missão na série parece ser apenas sofrer, sofrer e sofrer, sem questionar os motivos, entregando-se aos desmandos de uma espécie de puppetmaster que as comanda como marionetes.
O maior exemplo disso é Jules. De longe a personagem mais complexa do elenco, ao lado de Rue, ela é reduzida a poucas cenas realmente interessantes (como quando reencontra Cal, pai de Nate - papel de Eric Dane, que morreu pouco antes da estreia da temporada -, com quem havia tido um caso na adolescência) e fadada ao vazio. É muito triste ver uma personagem como essa ser reduzida a nada. Isso sem falar nas inúmeras cenas explorando o corpo de Sydney Sweeney, o que provocou críticas até mesmo de criadoras de conteúdo adulto.
Não é de hoje que Sam Levinson é acusado de não gostar de suas personagens femininas. A série “The Idol” — uma das piores já feitas e um fracasso retumbante — evidenciou isso e nos fez olhar para as personagens de “Euphoria” com outros olhos e perceber o buraco. Mas o pior é que não são apenas as personagens femininas que saem mal desta terceira temporada. O destino de Nate também foi sofrer, como se estivesse pagando pelos pecados cometidos ao longo das duas temporadas anteriores.
Para não dizer que nada prestou nesta derradeira temporada de “Euphoria”, ao menos o desfecho da personagem Rue foi coerente com todo o arco construído para ela. Desde o primeiro episódio já parecia que o fim seria este, e até mesmo a religiosidade que ela adota no decorrer da trama já apontava para algo nesse sentido. No mais, foi lamentável ver o desperdício de um ator do calibre de Colman Domingo, em especial no último episódio.
Vou me lembrar de “Euphoria” como uma grande série que deveria ter terminado ao final da segunda temporada. A terceira foi um equívoco daqueles que merecem ser esquecidos.
ONDE: Na HBO Max
PARA ASSISTIR NO CINEMA
100 Noites de Desejo
Direção: Julia Jackson
Elenco: Maika Monroe, Emma Corrin, Nicholas Galitzine
Baseado na graphic novel de Isabel Greenberg, “100 Noites de Desejo” tinha potencial para se tornar um daqueles fenômenos cult movidos pelo boca a boca de nicho. No entanto, ao tentar abraçar causas e frentes demais, o longa falha justamente onde precisava ser mais conciso.
Toda ambientada em um castelo isolado, a trama acompanha a dinâmica entre três personagens principais: Cherry (Maika Monroe), uma jovem noiva inocente presa a um casamento com um marido negligente; Hero (Emma Corrin), sua devotada e leal criada; e Manfred (Nicholas Galitzine), um homem charmoso e manipulador que chega ao local a convite de Jerome (Amir El-Masry), o dono do castelo e marido de Cherry.
O marido nunca tocou na esposa (o filme sugere mas nunca explicita que ele é homossexual), a pressão por um herdeiro por parte dos governantes do reino só aumenta. É nesse cenário que surge Manfred, convidado a se hospedar e seduzir Cherry durante uma ausência de Jerome. Caso vença a aposta feita entre os dois, Manfred ganharia o próprio castelo e a posse da jovem. Para proteger a patroa e frear os avanços do hóspede, Hero entra em cena assumindo o papel de uma Sherazade moderna. Noite após noite, ela usa o magnetismo de suas histórias para entreter o homem, ganhar tempo e tecer uma complexa rede de narrativas que desafia as amarras daquela realidade patriarcal.
A comparação com o clássico oriental não é em vão. A história é nitidamente inspirada em “As Mil e Uma Noites”, mas o universo criado por Greenberg adiciona elementos próprios: um mundo com três luas e uma sociedade severa onde as mulheres enfrentam punições extremas se não engravidarem, precisando se unir no submundo para cavar seu próprio espaço à força. A produção despeja na tela ecos de dramas medievais, um esmero visual que flerta com o estilo de Wes Anderson em algumas sequências, uma ode ao lesbianismo através do relacionamento entre Cherry e Hero, e um humor que, às vezes, soa descabido.
Achou muita coisa? E é. “100 Noites de Desejo” atira em várias direções e acerta poucas. As performances de Maika Monroe e Emma Corrin são o ponto alto e seguram a produção na maior parte do tempo, mas o filme parece nunca definir sua verdadeira identidade. Seria uma fábula sobre o patriarcado? Um libelo feminista? Uma comédia de costumes? Ou um Game of Thrones cruzado com as lendas árabes?
Ao tentar ser tudo ao mesmo tempo agora, acaba entregando quase nada.
ONDE: Nos cinemas de todo o Brasil
A SEMANA DA CULTURA POP
Um filme de terror com um sorveteiro. Bela ideia. É “Ice Cream Man”, de Eli Roth:
Aqui o trailer de “I Will Find You”, adaptação do romance best-seller de Harlan Coben, com estreia marcada para 18 de junho. Nesta série, Sam Worthington é David, um pai preso por ter matado o próprio filho — mas que afirma ser inocente e recebe evidências de que a criança pode ainda estar viva. O elenco inclui também Britt Lower, Milo Ventimiglia, Logan Browning e Chi McBride:
Em “Lucky”, Anya Taylor-Joy é uma golpista obrigada a fugir após um roubo milionário dar errado, perseguida pelo FBI e por um chefe do crime implacável. Estréia na Apple TV em julho:
Eu desisti de “Silo”, mas tenho amigos que insistem em dizer que a série ainda é vale a pena. Se você é um deles, aqui está o trailer da terceira temporada:
“How to Rob a Bank” é o novo filme de David Leitch e acompanha um grupo de assaltantes de banco obcecados com as redes sociais, que transmitem seus roubos ousados ao vivo — até que a fama viral os torna impossíveis de ignorar. No elenco, Nicholas Hoult, Zoë Kravitz, Anna Sawai, Rhenzy Feliz, Christian Slater, Pete Davidson e John C. Reilly. Estréia em setembro:
Finalmente, um documentário sobre Peter Frampton. Uma das boas histórias do rock que ainda não tinham sido contadas:
“Backrooms: Um Não-Lugar” estreou em primeiro lugar no Brasil, superando “Michael”, “O Diabo Veste Prada” e “Obsessão”.
Aliás, vale ler esta análise sobre como “Backrooms” e “Obsessão” podem prenunciar uma nova era para o cinema: a dos Youtubers assumindo o papel de protagonistas.
E este texto discute como o sucesso dos dois filmes gerou teorias conspiratórias online de que diretores mais experientes teriam sido dirigido as produções — algo que é categoricamente desmentido por elenco e equipe.
Aqui tem uma lista de 25 filmes para serem assistidos no Festival de Tribeca deste ano.
Zack Snyder vai dirigir um remake de “Fuga de Nova York” e não tem como isso dar certo.
De acordo com seu filho Kyle, Clint Eastwood se aposentou.
A venda antecipada de ingressos de “A Odisséia”, de Christopher Nolan, sobrecarregou o app da rede de cinemas AMC e provocou esperas de até uma hora, especialmente para sessões em IMAX e outros formatos premium. Aparentemente as pessoas estão querendo mesmo assistir a ele.
“DTF St Louis” foi a grande vencedora do Gotham Tv Awards, que aconteceu na última segunda-feira em Nova York. Aqui a lista completa dos vencedores.
Martin Scorsese se aliou à startup de IA Black Forest Labs para usar a tecnologia FLUX na criação de storyboards, descrevendo a ferramenta como “criativamente libertadora” e uma forma de acelerar a pré‑produção sem perda de qualidade
Durante um show do Black Crowes em Tampa, na Flórida, o telão exibiu o logo da banda com um corvo vestido de Tio Sam durante “Soul Singing”, o que levou parte do público a puxar um coro patriótico de “U-S-A”. Chris Robinson respondeu com ironia, dizendo “Obrigado pela aula de geografia. Não sei por que estão tão orgulhosos agora”, o que gerou vaias e fez alguns fãs deixarem o local, enquanto ele insistia que não tinha medo dos vaiadores nem era “ignorante”.
Quem diria que Sade viraria mania entre as novas gerações em pleno 2026?
ARTISTAS QUE ANUNCIARAM TURNÊS/NOVOS SHOWS ESTA SEMANA: St. Vincent, Jeff Goldblum, American Football, Sara Bareilles, Snail Mail e Soccer Mommy, Gary Clark Jr., Afghan Whigs, Violet Grohl.
MERCADO, ETC
A Suno, plataforma de geração de música por inteligência artificial, captou US$ 400 milhões em sua mais recente rodada de investimentos, atingindo uma avaliação de US$ 5,4 bilhões.
E depois de um bom período em fase de testes, o Governo Brasileiro finalmente lançou o Tela Brasil nesta semana. Para quem não sabe do que se trata, é um serviço de streaming público, gratuito, criado pelo governo federal para distribuir obras do audiovisual brasileiro, funcionando como uma espécie de “Netflix” estatal focada em conteúdo nacional. A ideia central é ampliar o acesso à produção brasileira e à memória audiovisual do país, incluindo acervos da Cinemateca Brasileira e da Funarte. A plataforma estreou com um acervo de 555 obras, entre 267 curtas, 139 longas, 85 médias ou telefilmes e 64 obras seriadas. Há títulos que vão de produções de 1910 a filmes recentes de 2025, incluindo clássicos como “Central do Brasil”, “Cidade de Deus”, “Ilha das Flores”, “O Que É Isso, Companheiro?” e “Orfeu Negro”. Testei esta semana e achei bem boa a velocidade de resposta e reprodução.
ESTRÉIAS DA SEMANA EM STREAMING E CINEMA
OS ESCOLHIDOS DA BELEZA - estreou esta semana no HBO Max:
EARTH WIND & FIRE - estréia hoje no HBO Max:
INAPROPRIADOS PARA O TRABALHO - estreou esta semana na Disney+:
MICHAEL JACKSON: O VEREDITO - estreou esta semana na Netflix:
PAIXÃO DE ESCRITÓRIO - Estréia hoje na Netflix:
TETRA: ACREDITAR DE NOVO - estréia domingo na Netflix:
MEXICO 1986 - Estréia hoje na Netflix:
CABO DO MEDO - estréia hoje na Apple TV:
E mais…
PILLION - chega hoje no HBO Max
CARA DE UM, FOCINHO DE OUTRO - Chegou esta semana no Disney+
RIO DE SANGUE - Chegou esta semana no Disney+:
E nos cinemas….
DICAS MUSICAIS
Eu nunca vou perdoar Paul McCartney por um motivo: não dar a devida bola para o disco que considero o seu melhor neste século — “Chaos and Creation in the Backyard” (2005). Fruto de uma parceria/conflito com o produtor Nigel Godrich, que quis levar o jeito McCartney de fazer música a outros patamares, o álbum aparentemente deixou um gosto amargo em Macca, que não gostou da experiência e hoje o renega.
Pois eis que, vinte anos depois, surge um trabalho com potencial para tomar o posto de melhor produção de Paul do ano 2000 para cá. “The Boys of Dungeon Lane” é um disco que não envereda pelos mesmos caminhos melódicos e de arranjos daquele projeto de 2005, mas trabalha algo que me parece ainda mais interessante, em especial se considerarmos que Macca está com 83 anos: sua história e suas memórias.
O álbum se constrói essencialmente através de suas letras, recheadas de referências à infância e à juventude em Liverpool, aos primórdios dos Beatles e à vida naquela mítica cidade. Há acenos sutis (ou nem tanto) aos outros três companheiros de banda. Na letra de “Down South”, por exemplo, Paul faz uma homenagem tocante a George Harrison ao resgatar as lembranças das viagens diárias de transporte público que os dois faziam juntos. Já em “Days We Left Behind”, ele canta sobre a atmosfera esfumaçada do início de tudo, em um ambiente que evoca o Cavern Club, cercado de “smoky bars and cheap guitars” (bares enfumaçados e guitarras baratas) — um aceno claro à parceria inicial com John Lennon e ao nascimento da cena Merseybeat.
E tome referências aos pais, a uma paixão secreta de adolescência... Tudo envelopado pela produção de Andrew Watt que, por mais que não seja tão brilhante quanto Godrich, ao menos soube respeitar a atual fase de McCartney, em especial a sua voz. Se já não existem a potência e os timbres de outrora, o melhor caminho era assumir isso e dar vazão à fragilidade. Ouça a já citada “Down South” para comprovar. É assim que Macca soa ainda mais autêntico e coerente com a proposta do projeto.
Ao olhar para trás, do alto de seus 83 anos muito bem vividos, Paul McCartney faz algo fundamental e crucial para entendermos os nossos tempos: preserva sua memória, resguarda suas lembranças e perpetua histórias — a sua e a de uma era — para as novas gerações através da música.
Ouça já!
E mais…..
O Mastodon soltou esse single em homenagem a Brent Hinds, ex-guitarrista da banda, que morreu no ano passado:
Aqui tem um feat do Pussy Riot com o Avenged Sevenfold:
Aqui tem Avalanches com Jamie xx. Aumente o som e arraste o sofá:
Uma nova do Afghan Whigs é sempre uma nova do Afghan Whigs:
Você piscou e o Weezer anunciou mais um álbum, precedido por esse single, feat. Wednesday:
Aqui Michael Stipe mostrando “I Played The Fool” no programa do Jimmy Kimmel, acompanhado de Andrew Watt, Chad Smith e mais uma porção de gente legal:
FLAGRA!
Na semana passada, passeando pelo centro de São Paulo, dei de cara com uma filmagem. Parei para ver. Demorei uns minutinhos para reconhecer a atriz, até porque era inusitado esta pessoa estar ali. Era Britt Lower, de “Ruptura”. Então, o filme só poderia ser “Zero K “, com ela, Inga Ibsdotter Lilleaas e Selton Mello, que está sendo filmado em São Paulo. Confira um videozinho que fiz até um assistente de produção me mandar parar:
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