MALA #277
Olê olê olê
IMAGEM DA SEMANA
Invejosos dirão que esta imagem é feita por IA e que não existe a possibilidade de isso acontecer neste sábado.
Mas por que você acharia isso, não é?
COPA É COPA E VICE-VERSA. OU NÃO.
De quatro em quatro anos, um contingente enorme de pessoas que não dão a mínima para o futebol senta em frente à TV para acompanhar um torneio do esporte bretão. Mas não nos enganemos: não é um torneio qualquer. É a Copa do Mundo, que muitos veículos insistem em chamar de “Mundial” apenas porque a FIFA adora patrulhar e proibir os não-detentores de direitos de transmissão de pronunciar o seu nome oficial.
Como esta newsletter ainda é pequena demais para entrar no radar dos advogados de Zurique (e a FIFA certamente tem mais o que fazer do que encrencar comigo), vou continuar chamando de Copa. E esse preciosismo jurídico das marcas é apenas a ponta do iceberg para a gente começar a entender a real magnitude do evento.
Um negócio multibilionário para a FIFA? Um torneio de alto nível entre as principais seleções do planeta? Um megaevento que paralisa o globo? Tudo isso e muito mais. Mas nem tudo são flores. Esta Copa de 2026, sediada na América do Norte, já começou manchada por debates espinhosos sobre direitos humanos e, para completar, carrega um persistente cheirinho de flop no ar. Os estádios não devem deixar de ficar lotados, mas a política de preços extorsivos praticada pela organização simplesmente baniu o torcedor comum das arquibancadas. O evento se tornou cada vez mais elitista, puramente mercantilista, focado na maximização do lucro em absoluto detrimento do esporte propriamente dito.
E é aí que começamos a traçar os inevitáveis paralelos com a indústria do entretenimento. Afinal, dá para separar o autor de sua obra? Para muita gente, a resposta é um sonoro “não”, e essa Copa vai passar batida, ignorada por completo. Mas para a esmagadora maioria, todos os problemas estruturais e éticos já estão sendo varridos para debaixo do tapete agora que a bola rolou. Como bem sintetizou um amigo em um grupo de WhatsApp esta semana, se formos levar em conta todas as violações de direitos na cadeia global de produção, ninguém mais come, veste ou consome absolutamente nada que seja industrializado.
Particularmente, o que sempre me magnetiza na Copa é o ambiente e o entorno. O extracampo, o que orbita fora das quatro linhas, frequentemente me interessa tanto quanto a tática do jogo. É esse ecossistema que movimenta outros setores da economia e transforma um torneio esportivo nessa máquina monstruosa de cultura pop.
Ao longo de décadas, fomos culturalmente doutrinados a associar o torneio ao entretenimento puro. Aprendemos, principalmente via TV Globo, que durante eras reinou absoluta e solitária no monopólio das transmissões, que as batidas do Olodum, as ruas pintadas de verde e amarelo, as bandeirinhas e os jingles chicletes feitos para embalar a torcida fazem parte do mesmíssimo pacote.
E a lógica comercial por trás disso não está errada. É um imperativo de sobrevivência midiática: é preciso atrair, engajar e reter esse público flutuante que só chega até ali pelo verniz do grande evento. É preciso oferecer um “algo mais” para que o espectador médio continue consumindo o espetáculo além dos 90 minutos regulamentares.
Em 2026, no entanto, essa dinâmica de monopólio ruiu de vez, consolidando a entrada definitiva da CazéTV no páreo principal (vale o lembrete: a única plataforma que vai transmitir absolutamente todos os jogos do torneio, caso você tenha passado as últimas semanas em Marte). Contudo, a própria trupe de Casimiro Miguel e da Livemode sabe que o purismo tático não sustenta a audiência de massa. Eles dominam como poucos a arte de dosar o esporte com o entretenimento e entregar esse tal “algo mais”, seja escalando profissionais completamente fora do meio esportivo tradicional para a cobertura, seja apostando em uma linguagem deliciosamente irreverente e caótica de transmissão. Vai colar com o grande público da TV aberta tradicional? Saberemos nos próximos dias.
Para os puristas que detestam essa fusão e gostariam de uma análise puramente tática sobre o 4-3-3, sinto informar: são raríssimos os veículos que ainda se importam apenas com o gesso do jornalismo esportivo tradicional. De qualquer forma, a mesa está posta e há opções para todos os gostos. Inclusive para quem ainda não faz a menor ideia do que seja uma regra de impedimento, que, guarde o que estou dizendo, é uma parcela da audiência muito maior do que você imagina.
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PARA ASSISTIR NO CINEMA
Dia D
Direção: Steven Spielberg
Elenco: Emily Blunt, Josh O’Connor, Colman Domingo, Eve Hewson, Colin Firth
Steven Spielberg + extraterrestres. Uma combinação irresistível, não acham? Bom, pelo menos já foi um dia. Mas será que isso se sustenta nos dias de hoje? É o que você vai descobrir depois que assistir a “Dia D” nos cinemas e dar o play neste video:
ONDE: Nos cinemas de todo o Brasil
O podcast “Meninos, Eu Vi” está disponível no Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer, Castbox e Youtube, além do Spotify. Clique aqui para obter os outros links.
PARA ASSISTIR NO CINEMA
O Afinador
Direção: Daniel Roher
Elenco: Leo Woodall, Dustin Hoffman, Havana Rose Liu
“O Afinador” tinha tudo para ser mais um na multidão. Um daqueles thrillers com toques dramáticos que passaria despercebido pela maioria de nós. Na real, em função da semana de seu lançamento no Brasil (Copa do Mundo, “Dia D”), é bem provável que ele acabe sendo exatamente isso. Merecia mais.
Em primeiro lugar, porque tem um bom diretor por trás da produção. Daniel Roher já tem um Oscar na prateleira, pelo excepcional documentário “Navalny”. Isso sem falar que ele também dirigiu um ótimo doc sobre Robbie Robertson e The Band. Em seu primeiro longa de ficção, Roher acerta ao privilegiar temas que falam direto ao coração de muitos de nós: paternidade afetiva, dilemas entre a lei e a moral e, finalmente, a música.
A trama de “O Afinador” gira em torno de Niki (Leo Woodall), um afinador de pianos com uma condição rara: seus ouvidos são hipersensíveis a ponto de sons altos serem debilitantes. Forçado a usar tampões de ouvido o tempo todo, a condição destruiu sua carreira como pianista virtuoso, mas fez dele um afinador excepcional. Seu mentor é Harry (Dustin Hoffman), um veterano artesão com um amor profundo pela música.
O filme começa como um drama sobre uma relação de pai e filho postiços, mas logo se transforma em um thriller de crime quando Harry adoece e sua esposa Marla (Tovah Feldshuh) não consegue pagar as contas. Isso leva Niki a aceitar trabalhos cada vez mais arriscados para ajudar o casal. A habilidade de Niki em identificar sons com perfeição acaba o tornando um arrombador de cofres fora dos livros. Enquanto isso, uma atração romântica surge com Ruthie (Havana Rose Liu), uma pianista talentosa às voltas com uma importante apresentação.
Trama banal? Pode parecer, numa primeira olhada. Mas a habilidade de Roher em ir além da superficialidade, ainda que o filme não pretenda ser uma análise profunda sobre esses temas, o leva para outro lugar. A relação entre Niki e Harry é apresentada de maneira tenra, como devem ser as boas histórias entre pais e filhos postiços. Já o dilema legal e moral nos faz pensar: até que ponto Niki pode ser absolvido por estar ajudando alguém como Harry, ainda que esteja cometendo crimes?
E a música? Ah, a música. O amor por ela chega através do trio de protagonistas, que não escondem sua paixão e a manifestam das mais variadas formas. Niki tem um passado ligado à música. Ruthie a tem em seu presente. Harry navega entre passado, presente e, por que não, o futuro dela, demonstrando com poucas palavras o que sente. Ponto para Dustin Hoffman, que dispensa apresentações e entrega uma performance igualmente tenra, na medida certa do seu personagem.
Por tudo isso, “O Afinador” é um ótimo entretenimento, bem escrito, bem dirigido e que merece sorte muito maior nas bilheterias.
ONDE: Nos cinemas de todo o Brasil
A SEMANA DA CULTURA POP
Saiu o trailer de “The Social Reckoning”, a continuação de “A Rede Social”, com Jeremy Strong no papel de Mark Zuckerberg. Estréia em outubro nos cinemas:
“I Want Your Sex” é o novo filme de Gregg Araki, que traz Olivia Wilde como uma artista que escolhe Cooper Hoffmann como seu muso sexual iniciando uma relação BDSM, com ela no papel de dominatrix e ele como submisso:
Chegou o trailer da quinta e última temporada de “O Urso”, que estréia ainda neste mês:
Aqui o trailer de “Ride or Die”, série com Hannah Waddingham e Octavia Spencer, que estréia no Prime Video em julho:
Aqui, o trailer de “Elle”, a prequel de “Legalmente Loira", que estréia no Prime no início de julho:
“Nimrods” é uma comédia coming‑of‑age inspirada na história do Green Day que acompanha três amigos em uma road trip rumo a Los Angeles porque eles acreditam, por engano, que sua banda vai abrir um show do grupo na noite de Ano‑Novo. Dirigido por Lee Kirk e estrelado por Mason Thames, Mckenna Grace e Jenna Fischer, estreia nos cinemas em 14 de agosto:
“Life, Larry and the Pursuit of Unhappiness” é uma série limitada de esquetes criada e estrelada pelo Larry David, que usa viagens pela história dos Estados Unidos como pano de fundo para o seu humor neurótico à la “Curb Your Enthusiasm”. Estréia no fim do mês na HBO Max:
“Backrooms” superou “Marty Supreme” e já é o filme de maior bilheteria da história da A24. Em assuntos relacionados, “Mestres do Universo” fracassou, enquanto “Todo Mundo em Pânico” estreou forte.
E “Super Mario Galaxy” ultrapassou a barreira do bilhão. É o primeiro filme este ano a chegar nesta marca. Seria o único?
Da série “filmes que você nem lembrava que existiam mas vão ganhar sequências”: “Romy & Michele”.
“Ainda Estou Aqui” continua rendendo. Jennifer Lopez falou sobre o filme no podcast “Films to Be Buried With”, de Brett Goldstein, dizendo que a obra a fez refletir sobre família e a ajudou no momento do divórcio de Ben Affleck. Fernanda Torres disse que ficou profundamente tocada ao ver essa reação.
A Academia vai entregar Oscars honorários para Glenn Close e Ridley Scott em uma cerimônia em novembro deste ano.
A Netflix liberou as primeiras imagens da versão live action de Scooby Doo, que estréia no ano que vem. E o Scooby está aqui, para seu deleite:
Uma ótima entrevista com o produtor Rodrigo Teixeira, em que ele fala, entre outras coisas, sobre a fase mais internacional da RT Features, a parceria contínua com James Gray e como enxerga o futuro do cinema independente circulando por vários países, não só pelos EUA.
Aqui a lista de vencedores do Tony Awards, que aconteceu no último fim de semana.
A votação para as indicações ao Emmy 2026 começou com 555 programas inscritos nas 14 categorias de programa, uma queda de 7,5% em relação aos 600 do ano passado
Aparentemente, existe uma banda “impostora” do Angine de Poitrine tocando na Rússia, copiando visual, figurino de bolinhas e nome para tentar surfar no buzz recente do duo canadense, sem avisar ao público que não são o grupo original.
ARTISTAS QUE ANUNCIARAM TURNÊS/NOVOS SHOWS ESTA SEMANA: Charlie XCX, Phoebe Bridgers, Jeff Tweedy, Spiritualized.
MERCADO, ETC
A rede de cinemas norte-americana AMC adiou para o fim de 2026 a série de shows ao vivo AMC Girls Night Live, com Bebe Rexha, Paris Hilton, Kim Petras e Maren Morris, para dar prioridade à programação de cinema num verão de bilheteria em alta, em especial depois dos sucessos de “Backrooms”, “Todo Mundo em Pânico”, “Obsessão” e pela expectativa de “Toy Story 5” .
ESTRÉIAS DA SEMANA EM STREAMING E CINEMA
OPERAÇÃO GUERRA VERDE - estreou esta semana no HBO Max:
DEPOIS DAQUELE ANO - estreou esta semana no Prime Video:
DOCES MAGNÓLIAS - 5a temporada - estreou esta semana na Netflix:
INSTINTO MATERNO - estreou esta semana na Netflix:
E nos cinemas….
DICAS MUSICAIS
Você já deve ter me ouvido falar aqui sobre meu gosto por sons tortos. Aquele tipo de música que foge do convencional e instiga o cérebro a ir além do que nos entregam mascadinho.
Talvez você já tenha me ouvido falar então do Thee Oh Sees, ou The Osees, ou The Oh Seas, ou qualquer outro trocadilho que eles possam fazer com esse nome. O projeto de John Dwyer é uma daquelas iniciativas fora da curva, prolíficas, que não se furtam ao acaso, ao desconhecido e ao instigante. A começar pelo fato que os discos são criados através de jam sessions entre os músicos. Na formação, sempre existem dois bateristas (Dan Rincon e Paul Quattrone) tocando em uníssono perfeito, criando uma parede de ritmo avassaladora, quase tribal.
O resultado é uma mistura de rock psicodélico com kraut rock, garage rock, mas ao mesmo tempo não é nada disso. Prender o Thee Oh Sees a um só rótulo é uma perda de tempo. As variações no nome da banda não são apenas loucuras da cabeça de Dwyrer, mas indicam fases diferentes no próprio som deles.
Este “Off Course” é descrito pelo próprio Dwyer como uma "bruxaria destilada em um caldeirão", misturando faixas longas de pura viagem instrumental com músicas curtas e diretas, culminando em um encerramento cheio de ganchos melódicos na linha da clássica "The Axis". É um disco focado em um rock and roll guiado por órgãos espaciais, que se pergunta "onde diabos estamos e como viemos parar aqui?"
Desnecessário dizer algo mais.
Ouça já!
E mais…..
Alguém filmou todo o show da volta do Rush, que aconteceu esta semana em Los Angeles, com a câmera quase totalmente focada em Anika Niles. Gênios da raça. Curtam:
Pois na segunda noite, a banda simplesmente tocou a suíte “2112” na íntegra. Assista:
Temos uma nova de Jack White, que anunciou novo disco sem mais nem menos:
Stanley Simmons, o duo formado por Evan Stanley e Nick Simmons (filhos de Paul e Gene, do KISS), lançou um novo single:
Aqui tem Madonna, que lançou um curta de cerca de 13 minutos chamado “Confessions II – The Film”, montado com as seis primeiras faixas do álbum “Confessions II”, que chega em 3 de julho de 2026. Tem uma penca de participações especiais, incluindo Sabrina Carpenter (parceira na faixa “Bring Your Love”), Feid, Debi Mazar, Benedict Cumberbatch, Julia Garner, Richard E. Grant e Lourdes Leon, entre outros.:
Mike D, que um dia integrou os Beastie Boys, vai lançar um disco solo. Aqui o primeiro single:
E que tal a gente rever a parceria entre Olivia Rodrigo e Robert Smith, que ela estreou no palco do Primavera Sound, durante o show surpresa que ela fez no evento, em Barcelona:
Aqui Taylor Swift e a lenda Randy Newman interpretando “You’ve Got a Friend In Me” na pré-estréia de “Toy Story 5”:
Aqui o novo single de Sylvan Esso:
Aqui tem o novo single de Roger Taylor, baterista do Queen, que vai lançar disco novo em breve:
Outros que estão com single novo: Rodrigo Y Gabriela:
Que tal a nova das The Linda Lindas?
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