MALA #280
O fim e o começo
IMAGEM DA SEMANA
Os paparazzi da MALA estão a mil, perseguindo os jogadores e o técnico da Seleção Brasileira em seus dias de folga, nos Estados Unidos. Este encontro aí em cima foi capturado com exclusividade por um de nossos correspondentes, mas tem gente que vai insistir que é IA.
O FIM
Tenho certeza de que a maioria de vocês, ao ler este título, pensou que eu estava prestes a decretar o fim desta newsletter. É provável que isso tenha provocado um sobressalto, uma leve sensação de perda ou nostalgia antecipada.
Antes de continuar, acalmem os corações: não é nada disso. A MALA continua firme por aqui.
Mas eu realmente queria falar sobre o fim das coisas. Nesta semana, assisti à última temporada de “O Urso” (conto o que achei logo abaixo) e me peguei pensando em como nossa relação com os encerramentos é visceral.
Muitos de nós simplesmente não aceitam que algo precisa acabar. Plataformas de streaming, grandes estúdios e canais de TV tornaram-se mestres em esticar a vida útil de seus produtos. Empurram-nos temporadas intermináveis, continuações caça-níqueis e capítulos adicionais de histórias que já estão fazendo hora extra. “Grey’s Anatomy” está aí e não me deixa mentir.
Por que temos tanta dificuldade em dizer adeus? Qual o problema em entender que ciclos precisam ser encerrados? Não tenho dados estatísticos para cravar uma resposta, mas, lá no fundo, desconfio que isso espelha a nossa própria dificuldade em lidar com a morte.
Há quem nunca se recupere da perda de um ente querido. Outros conseguem respirar, encarar o dia seguinte e internalizar que o fim é parte da vida. Faço parte desse segundo grupo. Talvez por isso eu lide tão bem com o encerramento de séries, franquias cinematográficas e até de bandas que me fazem (ou fizeram) feliz.
Afinal, sair de cena no auge é muito mais digno, não é? Infelizmente, essa é a exceção. No entretenimento, a regra é prolongar a agonia mesmo quando o mojo já virou lenda. Tentam nos convencer de que ainda restam ideias frescas para aquela franquia ou banda de rock, quando a realidade é que os criadores (e os executivos) simplesmente não sabem a hora de parar.
Preferem espremer a fórmula até a última gota e, pasmem, continuam insistindo mesmo depois que ela seca. Não é difícil perceber isso. Basta passar os olhos pela programação dos cinemas, pelo circuito de shows ou pelo catálogo do streaming: o objetivo é o seu dinheiro a qualquer custo, sem o menor compromisso com a qualidade do que é entregue.
Por isso, deixo um convite: desapegue. Faça uma faxina mental e abra mão daquele conteúdo que você ainda consome por pura força do hábito, mas que já deveria ter acabado. O novo sempre vem — e ele precisa de espaço para ser devidamente degustado.
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PARA ASSISTIR NO STREAMING
O Urso - 5a temporada
Criação: Christopher Storer
Elenco: Jeremy Allen White, Ebon-Moss Bachrach, Ayo Edebiri
Uma das séries mais queridas, premiadas e faladas dos nossos tempos chegou ao fim. A saga de “O Urso” causou muito mas, como eu bem disse ali em cima, tudo que é bom precisa acabar.
Mas e aí? Como foi o final?
ONDE ASSISTIR: No Disney+
O podcast “Meninos, Eu Vi” está disponível no Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer, Castbox e Youtube, além do Spotify. Clique aqui para obter os outros links.
PARA ASSISTIR NO CINEMA
Franz
Direção: Agnieszka Holland
Elenco: Idan Weiss, Carol Schuler, Peter Kurth, Ivan Trojan
O cartaz deste filme traz o personagem principal, Franz Kafka, vivido pelo ator Idan Weiss, retratado de forma fragmentada. E talvez esta seja a palavra mágica para entendermos este “Franz”, de Agnieszka Holland.
Em primeiro lugar, não se trata de uma cinebiografia convencional, e só por isso o filme já ganha alguns pontos comigo. Agnieszka Holland (que já nos deu ótimos trabalhos como “Europa Europa” e “Em Escuridão”, sem falar na direção de episódios de séries como “The Wire”, “The Killing” e “House of Cards”) parte da premissa de desmistificar o personagem. Ela combate o estereótipo de que Kafka era uma figura unicamente fúnebre, gótica ou incompreensível para criar uma narrativa fragmentada, caleidoscópica, mas, sobretudo, humana.
Se eu fosse definir a estrutura do roteiro, diria que ele começa na infância de Kafka, antes da Primeira Guerra Mundial, passa por sua juventude e vida adulta (incluindo aí o trabalho burocrático em uma companhia de seguros enquanto exercitava a escrita, à noite, na sua Praga natal) até desembocar na Praga da atualidade, onde a imagem do escritor é comercializada à exaustão em souvenirs e pontos turísticos.
Como a maior parte da vida de Kafka foi interior e, em termos de ação, pouco cinematográfica, Holland projeta o radicalismo do autor encenando suas páginas. O filme recria de forma crua, visceral e detalhada a leitura pública de “Na Colônia Penal” (1914), evidenciando o choque de seus contemporâneos. A diretora também pontua como a literatura kafkiana acabou funcionando como uma profecia trágica dos horrores burocráticos, totalitários e do próprio Holocausto que devastariam a Europa décadas depois.
Entretanto, nem tudo são flores. Alguns desses fragmentos são tão ininteligíveis que flertam com o patético e atrapalham o resultado final. Uma cereja pendurada sobre os lábios de Franz, caído no chão, enquanto ele espreita por baixo das saias de algumas garotas? O protagonista participando de um cabo de guerra, nu, em um sanatório, com um grupo de homens usando máscaras de animais?
Estes e vários outros delírios visuais podem até ter um significado claro na cabeça de Holland (que tem uma relação de longa data com o autor, já tendo inclusive adaptado “O Processo” para a televisão polonesa), mas ela falha ao não conseguir conferir a essas cenas a sustentação narrativa necessária para dar unidade à obra, ainda que estejamos falando de um filme fragmentado.
Para quem se interessa pela vida de um autor como Franz Kafka, vá com calma. Para quem não se interessa pelo escritor, mas apenas gosta de uma cinebiografia tradicional, sinto informar que não é aqui que você vai encontrar algo satisfatório..
ONDE: Nos cinemas de todo o Brasil
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A SEMANA DA CULTURA POP
Não tem como não empolgar com esse trailer de “Werwulf”, o novo Robert Eggers, com Aaron-Taylor Johnson no papel principal:
Aqui o trailer do novo Nicholas Winding Refn, com Sophie Thatcher, Charles Melton, Havana Rose Liu:
Saiu o trailer final de “A Odisséia” e eu não consigo mais esconder de mim mesmo que é o filme que eu mais quero ver neste 2026:
A animação “Not Alone” tem vozes de Timothee Chalamet e Selena Gomez interpretando humanos em uma história de romance na qual a dupla descobre um grupo de alienígenas adoráveis:
“Supergirl” já pode ser considerado um fracasso de bilheteria, mas tem algo bem importante que precisamos conversar: a incapacidade de Hollywood de tratar heroínas de quadrinhos com o mesmo cuidado, contexto e respeito dados aos heróis homens.
Já “Michael” ultrapassou “Oppenheimer” e é a maior cinebiografia da história. Considerando bilheteria, claro.
Aqui tem um artigo que discute como o velho modelo de Hollywood baseado em propriedades intelectuais perdeu força, porque o público de 2026 está mais exigente e responde melhor a novidades do que a franquias “seguras” por si só.
O elenco de um dos filmes mais comentados nos bastidores de Hollywood acabe de crescer. A franquia “Ocean's”, que já teve George Clooney e Brad Pitt como comandantes, vai ter agora uma prequel, com Bradley Cooper no elenco e na direção, ao lado de Margot Robbie e Wagner Moura. Josh Gad e Monica Barbaro se juntaram ao elenco nesta semana.
Seria “Artificial” o “O Aprendiz” de 2026, no sentido de que ambos enfrentaram forte resistência de estúdios e controvérsias de bastidores antes de conseguirem distribuição comercial, além de retratarem figuras poderosas do mundo real de forma pouco lisonjeira?
“Backrooms” vai ser relançado nos cinemas com 16 minutos a mais.
Os casos Robinho e Thiago Brennand estarão na segunda temporada de “Tremembé”.
Novas adições para o elenco e mais detalhes da terceira temporada de “The Pitt”, que está em fase de filmagens.
Aproveitando que “Minions & Monsters” está estreando nos cinemas, você sabe como foi criada a lingua dos minions?
Vem aí “Peaky Blinders: Underworld”, uma nova experiência imersiva oficial da série que estreia em Londres em agosto de 2026, em Arches London Bridge, com pub temático, jogo interativo e atores ao vivo.
Outra novela que parece não ter fim: a escolha do novo James Bond. Debbie McWilliams, histórica diretora de elenco de 007, disse que Jacob Elordi, Callum Turner e Harris Dickinson não deveriam ser o próximo Bond, principalmente porque já são muito conhecidos do público e o personagem precisa manter um ar de mistério.
Aqui tem um balanço da edição 2026 do Festival de Animação de Annecy, apontando 10 grandes tendências: crescimento recorde, força do anime, novos eixos de coprodução, apostas de Hollywood, debate sobre IA e perspectivas para o Oscar.
Teyana Taylor, Clipse e Kendrick Lamar estão entre os vencedores do BET Awards, cuja cerimônia de entrega aconteceu no último domingo. Confira aqui a lista dos vencedores.
O New Order anunciou um show no Primavera Sound do Chile, mas Stephen Morris e Gillian Gilbert, dois membros fundadores da banda, não virão para a América do Sul por questões de saúde.
No último fim de semana viralizou uma imagem impressionante do show gratuito do Angine de Poitrine no Festival Internacional de Jazz de Montreal. Pois bem, nem tudo deu certo. Seis pessoas foram hospitalizadas após o show devido a casos de mal-estar pelo calor, intoxicação e quedas. Felizmente, nenhum caso foi considerado grave.
E o Morrissey que está comercializando merchandising clássica dos Smiths mas com o seu nome no lugar de sua ex-banda?
Chegou a hora de fazermos aquela revisão do semestre. Quais os melhores álbums de 2026 até agora?
OBITUÁRIO:
Victor Williams, um dos frontmen do Village People, aos 74.
MERCADO, ETC
A novela não acabou. O governo britânico sinalizou que provavelmente vai intervir na proposta de aquisição de 110 bilhões de dólares da Paramount/Skydance sobre a Warner Bros. Discovery, por preocupação com pluralidade de mídia no Reino Unido.
O Tidal vai passar a rotular faixas totalmente geradas por IA com um selo específico no app e, ao mesmo tempo, essas músicas não vão mais receber royalties na plataforma.
ESTRÉIAS DA SEMANA EM STREAMING E CINEMA
ELLE - estreou esta semana no Prime Video:
ENOLA HOLMES 3 - estreou esta semana na Netflix:
X-MEN 97 - 2a temporada - estreou esta semana no Disney+:
A PIOR VIZINHANÇA - estreou esta semana na Netflix:
LOUIS CK: RIDICULOUS - estreou esta semana na Netflix:
SILO - 3a temporada - estreou esta semana na Apple TV:
E mais…
REAGAN - Chegou esta semana na Netflix
E nos cinemas….
DICAS MUSICAIS
Na semana passada, no texto de abertura da MALA, falei sobre modos de ouvir música e mencionei este disco, “An Eraser And a Maze”, do Modest Mouse. E que bom que o mencionei naquele contexto, porque serviu para que eu mesmo o ouvisse com a calma que havia pedido.
Antes, um pouco de contexto. O Modest Mouse é uma banda do estado de Washington liderada por Isaac Brock, que ficou famosa com dois discos — “The Moon & Antarctica” e “Good News for People Who Love Bad News” — e o single “Float On”, que os colocou de vez no mapa do indie mundial. De lá para cá, uma série de altos e baixos. Um dos auges aconteceu em 2007, quando alcançaram o topo das paradas americanas com “We Were Dead Before the Ship Even Sank”, álbum que contou com ninguém menos que Johnny Marr como membro oficial da banda na época.
Este “An Eraser…” é o oitavo álbum de estúdio deles e o primeiro em cinco anos. Ele carrega um peso emocional muito grande: é o primeiro trabalho do Modest Mouse desde a morte do baterista e cofundador Jeremiah Green, que faleceu de câncer no final de 2022. O disco foi bem recebido, e muitos veículos especializados o classificaram como um “retorno à forma” daquele espírito independente e cru dos anos 90. A ausência de Jeremiah está impressa nas letras. Em especial na faixa “Third Side of the Moon” (uma das mais bonitas e assustadoras do álbum, cujo título dá aquela piscadela para o Pink Floyd), em que Brock canta com melancolia sobre as falhas da memória de quem se foi.
Não sei vocês, mas a sonoridade deste disco me pegou e tem sido uma trilha bem digna para os dias frios deste inverno belo-horizontino, embalados por muitos jogos de Copa do Mundo. Acredite: faz sentido.
Ouça:
E mais…..
Curte Billy Strings? Não conhece? Então clica aí pra ouvir o novo single e conhecer:
O Metallica tocou um trecho de “Delilah”, de Tom Jones, durante o show no Principality Stadium, em Cardiff, justamente no local onde a música está banida desde 2023 por causa das letras que descrevem um feminicídio motivado por ciúme. “Delilah”, lançada em 1968, conta a história de um homem que mata a parceira após flagrá-la com outro, o que levou a críticas crescentes ao uso da canção como hino de estádio. O Principality Stadium retirou a música das playlists em 2015 e, em 2023, a Welsh Rugby Union proibiu que coros e artistas a executassem em jogos, alegando que condena qualquer forma de violência doméstica. Confira:
Que tal o novo clipe dos Strokes, “Going Shopping", com participação do ator Walton Goggins?
Dinosaur Jr sendo o bom e velho Dinosaur Jr de sempre no single “Several Got Away”:
O Hollywood Vampires (supergrupo formado por Alice Cooper, Johnny Depp, Joe Perry e Tommy Henriksen) vai lançar um novo álbum ao vivo, “At Montreux Jazz Festival”, registrado no show de 2018 no tradicional festival suíço, com o single “Raise the Dead” já disponível em versão ao vivo em vídeo:
Mais Hayley Williams: agora é ela coverizando “Mandinka”, de Sinead O’Connor, em sua passagem por Dublin:
Mais um disco ao vivo. Agora é o The Mars Volta que soltou este petardo pra gente já ir se acostumando com o que vem por aí:
Vai uma baladinha do Wolf Alice?
E mais uma nova de Peter Gabriel:
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Ansiosa por A Odisséia e pela 3 temporada de The Pitt