MALA #281
Não, Bonnie, I don't need a hero
IMAGEM DA SEMANA
Da série “não tá fácil pra ninguém”. A fadiga de heróis, as baixas bilheterias, o cansaço dos nosso bravos heróis…..tudo levou a isso.
“SEM TEMPO IRMÃO”. OU, PORQUE CANSEI DOS FILMES DE HERÓIS
Ontem, enquanto esperava o jogo entre França e Marrocos, fui assistir a mais um vídeo que discutia o porquê de “Supergirl” não ter dado certo, do porquê de o DCU não estar indo tão bem quanto o planejado por James Gunn, e do MCU ainda estar tentando se reencontrar depois de anos apostando em filmes fracassados……
Foi então que deixei um comentário (coisa rara! vocês não vão me ver fazendo isso por aí o tempo todo, ok?) que estava engasgado na minha garganta há tempos, mas que eu acho que não tinha propriamente verbalizado:
Talvez seja hora de aceitarmos que os filmes de heróis perderam seu espaço e abandoná-los, partir para outra.
Na hora nem me dei conta do que escrevi, mas, olhando para trás e vendo as reações de algumas pessoas que assistiam à live naquele momento, talvez o meu pensamento tenha encontrado eco em bem mais gente do que eu imaginava.
Eu nunca fui um leitor voraz de quadrinhos. Li um ou outro Superman e Homem-Aranha aqui e acolá, mas não fui forjado dentro da Marvel ou da DC. Não acompanhei as 250 encarnações desses personagens, não conheço todos eles ou suas timelines e, quando um novo filme de herói chega aos cinemas, corro atrás para entender em qual gibi ele foi baseado, qual a história original, as características, etc.
Me interessei por esses heróis através do cinema e essa sempre foi a minha praia. E talvez bem antes da maioria de vocês. Eu tenho até hoje o Super 8 de “Superman - O Filme”, com algumas cenas selecionadas do longa original. Assisti a aquilo até a exaustão e posso afirmar com certeza que foi a minha porta de entrada para esse universo. Esse e a famigerada série do Batman com Adam West e Burt Ward, além da série do Superman com George Reeves, que peguei nas reprises.
Dali em diante, sempre que um herói chegava ao cinema ou à TV, eu assistia sem ter lido nada a respeito. Foi assim com o Homem-Aranha, com a Mulher-Maravilha, com o Hulk, com a Supergirl, até chegar ao MCU e, aí sim, ter um contato mais próximo com todos esses que fizeram parte do nosso imaginário nos últimos 15 ou 20 anos.
Mas é inegável que algo se quebrou nessa relação de confiança que formei com eles. Eu até entendo que o fã de carteirinha dos quadrinhos cobre algo melhor, que tenha a ver com o que ele leu e aprendeu a gostar. Comigo é diferente. Por mais que eu goste dos filmes (não de todos, claro, mas de alguns), se eles desaparecerem dos cinemas, não vou sentir falta. Assim como, ao que parece, muitos que acompanham o MCU e o DCU também estão abandonando o barco, cansados de pagar ingresso para ver histórias que não vão a lugar nenhum.
Eu talvez seja voz dissonante no caso de “Supergirl”, por exemplo. Gostei do filme, com algumas ressalvas, mas nem de longe achei o lixo que a maioria dos especialistas na personagem achou. Talvez porque eu não tenha o histórico do gibi nas costas e me preocupe apenas com o que me é apresentado ali na telona.
Quando você lê um livro ou um quadrinho que não te agrada, o que você faz? Para no meio, certo? Eu custei, mas aprendi na marra que posso abandonar um livro, uma série ou um filme antes do final se ele não estiver me agradando. Tinha um pouco de dificuldade em fazer isso porque sempre achava que a obra ainda poderia entregar algo bom, mas o tempo escasso me fez mudar de opinião. É o meme “sem tempo, irmão” sendo aplicado no meu dia a dia.
Pois parece que o público geral começou a fazer exatamente isso com os filmes e séries de heróis. São tantos fracassos acumulados que ninguém mais acredita que a próxima produção vá funcionar, preferindo gastar suas valiosas horas com outras histórias. Apostar em algo diferente ao invés da mesmice de sempre.
Então, talvez seja mesmo a hora de parar de ver filmes de heróis e partir para outra. Deixar de acreditar na máquina de marketing que vende cada lançamento como o mais revolucionário, o último biscoito do pacote, e rumar em outra direção.
Vem comigo? Não é para deixar os heróis totalmente de lado (até porque daqui a duas semanas tem o novo “Homem-Aranha” e eu vou assistir), mas que tal dedicar uma parcela maior do seu tempo a outras produções cinematográficas que realmente têm algo a dizer?
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PARA ASSISTIR NO STREAMING
O Convite
Direção: Olivia Wilde
Elenco: Olivia Wilde, Seth Rogen, Penelope Cruz, Edward Norton
Se você acompanha a MALA, deve se lembrar da fofocaiada em torno dos bastidores do filme “Não Se Preocupe, Querida”, de Olivia Wilde, a alguns anos. Pois a atriz e diretora deu a volta por cima e chega agora com este “O Convite” reunindo um elenco que, por si só, já merece ser visto.
Mas e aí? Presta?
ONDE ASSISTIR: Nos cinemas de todo o Brasil
O podcast “Meninos, Eu Vi” está disponível no Apple Podcasts, Amazon Music, Deezer, Castbox e Youtube, além do Spotify. Clique aqui para obter os outros links.
A SEMANA DA CULTURA POP
Chegou o trailer completo de “Duna”Parte Três”, que estréia apenas em dezembro:
O Oasis divulgou o teaser do documentário sobre a turnê mundial do ano passado. “Don't Look Back In Anger” estréia nos cinemas em setembro:
Aqui tem Dakota Fanning, Jake Johnson e Cory Michael Smith no drama ambientado no Alaska “The Sun Never Sets”:
Aqui o trailer de “Godzilla Minus Zero”, que chega aos cinemas em novembro:
“Minions & Monsters” teve uma bilheteria bem abaixo do esperado, em seu primeiro fim de semana nos Estados Unidos. E olha que foi o fim de semana de 4 de julho por lá. Em assuntos relacionados, “Supergirl” teve uma queda de 74%. Estariam as franquias e continuações perdendo força?
Saíram os indicados ao Emmy 2026. “The Pitt”, “O Segredo de Widow's Bay” e “Hacks” dominaram a lista deste ano. Confira tudo aqui.
Aqui a tradicional lista de esnobados e surpresas do Emmy 2026. E agora a série “Tudo é Justo”, tida como uma das piores já feitas na história, tem o mesmo número de indicações ao Emmy de “The Wire”.
E aqui tem uma ótima história de como dois atores coadjuvantes de “The Pitt” fizeram suas próprias campanhas e conseguiram indicações ao Emmy.
E o Scott Feinberg, do The Hollywood Reporter, já soltou suas previsões.
E eu já comentei as indicações na minha coluna “Mundo Pop” na 98FM que você assiste aqui:
Lembram da Tilly Norwood, a atriz IA? Pois lá vem ela de novo, agora protagonizando seu primeiro longa.
Jodie Foster disse que pensou que o roteiro de “F1: O Filme” tinha sido feito com IA.
A cinebiografia de Britney Spears vai de vento em popa e já tem roteirista contratada.
Sacha Baron Cohen terminou de filmar, de forma secreta, um novo filme com seu personagem clássico, Ali G.
Chico Buarque triste: teremos uma nova série “Adolescência” / Chico Buarque feliz: Kate Winslet deve estar no elenco.
Mariska Hargitay não só vai ser a apresentadora do Emmy deste ano como será a primeira mulher a ocupar o posto.
São Paulo é uma das cidades escolhidas por Charli XCX para promover seu novo álbum “Music, Fashion, Film”, que sai em 24 de julho, com sessões de audição especiais. A tracklist já foi revelada e uma das músicas é um feat com ninguém menos que David Cronenberg.
Harry Styles foi reconhecido pelo Guinness World Records por realizar a maior residência de um músico no Wembley Stadium em uma única temporada, com 12 shows da turnê “Together, Together”.
Justin Bieber se juntou a Madonna, Shakira e BTS para o World Cup Final Halftime Show. Ou , o show do intervalo que vai rolar na final da Copa no dia 29.
Aqui tem o grande Jello Biafra voltando aos palcos seis meses depois de sofrer um AVC.
Billie Joe Armstrong, Tim Armstrong, Travis Barker e CJ Ramone vão se unir no supergrupo Cretin Family para tocar músicas dos Ramones em um show oficial de 50 anos do álbum de estreia da banda, no Hollywood Forever Cemetery em Los Angeles, no dia 30 de agosto, com apresentação de John Travolta e renda destinada à pesquisa contra o câncer.
Vocês estão prontos para o primeiro livro oficial do Black Sabbath, com edições autografadas pelos quatro membros oficiais da banda, incluindo o falecido Ozzy Osbourne?
OBITUÁRIO:
Bonnie Tyler, a voz de “Total Eclipse of the Heart”, aos 75 anos.
MERCADO, ETC
A Netflix fez um acordo de licenciamento e vai passar a exibir, a partir de 3 de agosto, séries de vídeo curtas de marcas da Penske Media (como Variety, Rolling Stone e Billboard) e outros publishers em vários territórios de língua inglesa.
ESTRÉIAS DA SEMANA EM STREAMING E CINEMA
UMA CASA NA PRADARIA - estreou esta semana na Netflix:
NAUFRÁGIO: O PESADELO DO COSTA CONCÓRDIA - estreou esta semana na Netflix:
TRYING - 2a temporada - estreou esta semana na Apple TV:
E mais…
CHRISTY - UM NOVO ROUND - chegou esta semana no HBO Max
O DRAMA - Chegou esta semana no Prime Video
A VOZ DE HIND RAJAB - Chegou esta semana na Netflix
E nos cinemas….
TOQUINHO- ENCONTROS E UM VIOLÃO
DICAS MUSICAIS
Cá estou eu falando novamente sobre o livro “A Grande Trapaça Digital”, do chapa Luiz Cesar Pimentel, porque a audição de “Confessions II”, novo disco da Madonna, me remeteu, em um primeiro momento, à indústria fonográfica e aos caminhos tortuosos por que ela passou até chegarmos aqui?
“Confessions II” não só é um disco à moda antiga, como é a volta de Madonna a uma velha forma que ela havia perdido em algum lugar nos últimos 15 ou 20 anos. É um álbum na acepção do termo: concebido para ser ouvido na íntegra, costurado como se fosse um set fechado de DJ. Faz sentido ouvir um single isolado dele, como as plataformas de streaming nos empurram nos dias de hoje? Pode até ser. Mas ouvi-lo do início ao fim, se jogando na pista, faz muito mais sentido. Só posso aplaudir o fato de Madonna ter fincado o pé nessa direção.
Neste sucessor espiritual de “Confessions on a Dance Floor”, a Rainha do Pop faz as pazes com o próprio passado. Ela o evoca para abordar temas delicados e, ao mesmo tempo, fundamentais para entendermos quem ela é em 2026. Da linda ode ao irmão, falecido em 2024 (“Fragile”), até a autobiográfica “Danceteria” — na qual reconta suas noites inacreditáveis na lendária casa nova-iorquina —, Madonna passeia sem pudores pela própria vida. Para isso, conta com o auxílio precioso de produtores como Stuart Price, Andrew Watt, Cirkut, Tainy, Martin Garrix e Arca. Se tem uma coisa que ela sempre soube fazer, foi dialogar com quem melhor dita o ritmo dos nossos tempos.
Isso sem falar na ótima “Bring Your Love”, em parceria com a estrela pop do momento, Sabrina Carpenter. Quantas divas pop de um passado nem tão distante assim já não sonharam (algumas até realizaram) em dividir o microfone com a maior de todas? Madonna realiza esses desejos mas, antes de mais nada, veio a este mundo para realizar o nosso: o de nos entregar pura diversão.
Ouça:
E mais…..
Saiu o single/clipe de “Street of Dreams”, o primeiro single do U2 em um montão de tempo, excetuando os dois EPs temáticos que a banda lançou este ano:
Que tal uma música nova de Beyoncé, sobra de algum momento do seu passado?
Vamos de Wolf Alice coverizando “Smells Like Teen Spirit” daquela banda do Dave Grohl (rá!)?
O Ben Folds Five vai relançar o álbum de estreia em uma edição de 30 anos remasterizada e com o lendário “Shelved First Attempt”, chegando em 4 de setembro de 2026 em formatos físicos e digitais. Como prévia, já está disponível “Underground (Shelved First Attempt)”, uma das sete versões alternativas resgatadas das sessões originais. Como se isso não bastasse, o trio vai se reunir para apresentação comemorativas.
Aqui tem uma nova do Green Day, que faz parte da trilha sonora do filme “NIMRODS”, que chega em 31 de julho e o filme nos cinemas em 14 de agosto:
O Mastodon lançou “The Mastodon in the Room”, um documentário de 35 minutos que presta homenagem ao guitarrista e vocalista Brent Hinds, morto em um acidente de moto em 2025 aos 51 anos:
Tem uma nova do Interpol aqui:
Ed O’Brien já: está com um single novo na praça, o primeiro depois do ótimo disco “Blue Morpho”:
Mais um single do The Last Dinner Party:
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